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Como projetar uma sauna finlandesa: medidas, bancadas, ventilação e forno

As medidas que definem uma sauna finlandesa, segundo dois construtores: pé-direito, altura das bancadas, madeira, isolamento, ventilação e potência do forno, com as adaptações para o clima e a alvenaria do Brasil.

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Os problemas mais comuns de uma sauna pronta, como demora para aquecer, calor concentrado no teto e cheiro de mofo, costumam vir de decisões de projeto: a altura do teto, a posição das bancadas, a vedação e a ventilação. São medidas que precisam estar no desenho antes da obra.

Este texto reúne as medidas publicadas por dois construtores. Timo Aaltonen, em Sauna finlandesa (Edicon, 3ª edição, 2015), escreve para o clima e a alvenaria do Brasil. Glenn Auerbach, em Sauna Build: From Start to Finnish (2022), constrói cabanas de estrutura de madeira no norte dos Estados Unidos. Onde os dois divergem, a diferença costuma estar no clima e no tipo de parede.

O texto organiza o que os dois livros recomendam e não substitui o projeto. Instalação elétrica, chaminé e segurança contra incêndio pedem responsável técnico e as normas do seu município.

O calor sobe: pé-direito e bancadas

O ar quente se acumula junto ao teto. Por isso a sala quente pede teto baixo e bancada alta, e as duas medidas são definidas juntas.

MedidaAaltonen (Brasil)Auerbach (EUA)
Pé-direito da sala quente2,05 m a 2,15 m numa sauna residencial7 pés, cerca de 2,13 m
Da bancada mais alta ao teto1,05 m, no máximo 1,10 m44 polegadas, cerca de 1,12 m
Desnível entre bancadasaté 35 cmnão informa em medida única

Aaltonen dá a ordem de grandeza da perda: com 90 °C na altura da cabeça de quem está no nível mais alto, a temperatura pode cair mais de meio grau por centímetro nos níveis de baixo. Auerbach compara o forno a alguém que enche uma cômoda de cima para baixo, gaveta por gaveta. Numa sala de 6 por 8 pés, um teto de 8 pés em vez de 7 acrescenta 48 pés cúbicos, cerca de 1,4 m³, a aquecer.

Auerbach também cita a regra que ele chama de lei do löyly: sentado na bancada mais alta, o banhista deve ficar com os pés na altura das pedras do forno. Com 7 pés de teto a regra não se cumpre por inteiro, e ele registra as duas saídas: aceitar a diferença ou subir o teto e acrescentar um terceiro nível de bancada.

Para salas com mais de dez banhistas, que Aaltonen não recomenda, a solução é a mesma: o teto sobe um pouco e ganha-se um nível de bancada, de modo que o nível mais alto continue perto do teto.

Interior de uma sauna finlandesa com bancadas de ripas de madeira em dois níveis, encosto, balde e concha de madeira

Bancadas de ripas em dois níveis numa sauna finlandesa: o nível mais alto fica perto do teto, onde o calor se acumula. Foto: Arto J, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

Tamanho da sala e das bancadas

Aaltonen trabalha com área mínima de 3,5 m². As referências dele:

  • 1,70 m × 2,20 m: o mínimo para dois banhistas;
  • 2,30 m × 2,50 m: acomoda cinco pessoas;
  • bancada superior: de 70 cm a 90 cm de largura, no mínimo 60 cm, para o banhista encostar na parede e recolher os pés para o mesmo nível;
  • bancada inferior: pelo menos 35 cm de largura, ou de 40 cm a 50 cm se também for usada para sentar;
  • ripas: de 2 cm a 3 cm por 7 cm, com 1 cm de intervalo e cantos levemente arredondados.

Ele recomenda bancadas de madeira sobre estrutura ventilada, e não de alvenaria revestida, que absorve calor e dificulta a limpeza. Pregos e parafusos entram por baixo, para que nenhum metal fique em contato com a pele, e de preferência são de aço inox.

Madeira

A regra de Aaltonen é a densidade: madeira leve, abaixo de 0,5 g/cm³, de cheiro agradável. Madeira densa armazena calor, isola pior e incomoda ao toque quando aquecida. As opções que ele cita para o Brasil são o pinho-do-paraná sem cerne, o cedrinho e o pínus, deixando as peças com nós e bolsas de resina fora das áreas em que o corpo encosta.

As superfícies em contato com a pele ficam sem verniz. Auerbach, no mercado norte-americano, usa lambri macho e fêmea de cedro, e cita também o álamo.

Paredes, teto e vedação: onde os dois livros divergem

Auerbach constrói em estrutura de madeira, para invernos rigorosos. O método dele é isolar as paredes e o teto e cobrir tudo, por dentro, com uma barreira de vapor de folha de alumínio, com as emendas fechadas com fita. A barreira reflete o calor e impede que a umidade chegue à estrutura.

Aaltonen parte da parede de alvenaria e do clima quente, e chega a outras recomendações:

  • A faixa de baixo das paredes dispensa isolamento. No primeiro degrau a temperatura fica em torno de 30 °C, próxima da externa.
  • O teto é o ponto crítico. Precisa de forro de madeira bem vedado, porque o ar quente escapa por qualquer fresta. Sobre o forro, ele usa 15 cm de vermiculita expandida solta, apoiada em camadas de jornal, ou placas de lã de rocha ou de poliuretano de 5 cm a 10 cm quando não há acesso por cima.
  • Nada de plástico nem de alumínio entre as camadas. Ele quer que o conjunto elimine a umidade depois do banho.
  • Isopor e fibra de vidro ficam de fora. O primeiro, segundo ele, não é indicado acima de 85 °C; a segunda pode soltar partículas que irritam a pele.
  • Atrás do forno não há madeira. A parede e uma faixa de 15 cm a 20 cm de cada lado são emboçadas com argamassa de vermiculita e cimento e caiadas.

As duas abordagens respondem a problemas diferentes. Na cabana de madeira com frio intenso do lado de fora, a prioridade é proteger a estrutura da umidade. Na alvenaria em clima quente, é deixar a sala secar.

Piso, água e drenagem

A sauna finlandesa usa água dentro da sala quente, e o piso precisa aceitar isso. Aaltonen recomenda piso antiderrapante, de cerâmica ou de ardósia sem polimento, com o mesmo material subindo 40 cm pelas paredes, e ralo ou caimento de 1% em direção à porta. Piso de madeira, só em estrados soltos que possam ser retirados para secar.

Ele prevê um ponto de água a 80 cm do piso, com torneira para mangueira, para encher o balde e lavar as bancadas depois do banho. Os chuveiros ficam fora da sala quente. Um crivo no teto da sauna pode despejar água fervente acumulada, e por isso ele o exclui. Auerbach também instala ralo na sala quente em todas as saunas que constrói.

Porta e janelas

A porta de Aaltonen é baixa e estreita, de 0,60 m por 1,90 m, para perder pouco calor. Ela abre para fora, por segurança, tem puxador de madeira e deixa uma fresta de cerca de 4 cm embaixo, que serve à ventilação. Um visor de vidro duplo evita a sensação de caixa fechada.

Ele recomenda pelo menos uma janela, também de vidro duplo. Depois do banho, porta e janela ficam entreabertas de 10 cm a 15 cm para a sala secar.

Ventilação

Aaltonen descarta a solução mais repetida, com entrada de ar perto do piso e saída perto do teto. Nela, escreve, o ar frio se espalha pelo chão e o ar quente sai pelo alto. A alternativa que ele adota é uma entrada cerca de 50 cm acima do forno, onde o ar fresco se mistura ao ar quente que sobe, com a saída no nível do piso ou pela fresta da porta.

O löyly também renova o ar. Segundo ele, um litro de água jogado nas pedras gera até 1.700 litros de vapor, que empurram o ar para fora pelas frestas. Quando o vapor condensa, ar novo entra.

Auerbach trata a antessala como parte do sistema: é o vestiário e o lugar de esfriar entre as rodadas, com temperatura intermediária entre a sala quente e o exterior.

Forno, pedras e eletricidade

  • Forno elétrico: a regra de bolso que Aaltonen cita é 1 kW por metro cúbico de sala, arredondando para cima. Ele prefere fornos trifásicos, com cabos exclusivos desde o quadro e próprios para alta temperatura, já que atrás do forno o calor pode passar de 200 °C.
  • Forno a lenha de aquecimento contínuo: aquece rápido e, no Brasil, pode ser alimentado pelo lado de fora da sala. Ele proíbe madeira tratada, como postes e dormentes, pelos gases que libera, e nó de pinho, que pode deformar o forno.
  • Pedras: sem veios nem rachaduras. No forno a lenha de pré-aquecimento, em que ficam em brasa, ele calcula a troca depois de cerca de vinte banhos. No forno contínuo duram mais.
  • Termômetro: na parede, na altura da cabeça de quem está sentado na bancada mais alta.
  • Luz: indireta, fraca, com interruptor do lado de fora.

O que conferir no projeto

  1. O pé-direito e a distância da bancada mais alta ao teto estão cotados.
  2. A largura das bancadas permite sentar com os pés recolhidos.
  3. O teto está isolado e vedado, e o desenho mostra como.
  4. Há ralo ou caimento, ponto de água e piso antiderrapante.
  5. A entrada e a saída de ar aparecem no desenho.
  6. A potência do forno corresponde ao volume da sala, e a alimentação elétrica foi verificada.
  7. A porta abre para fora.

Para comparar os sistemas de aquecimento, leia tipos de sauna. Para o orçamento de uma casa inteira, com vestiário, frio e descanso, veja quanto custa construir uma bathhouse.

Próximo passo: leia o guia de sauna para entender a sessão que a sala precisa atender, ou abra o mapa Bathhouse para visitar saunas antes de desenhar a sua.